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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
PHDA - Perturbações no desenvolvimento infantil

A Criança com PHDA e a Família

 

 

            No artigo anterior fiz uma abordagem genérica do PHDA( Perturbação do défice de atenção com ou sem hiperactividade). Como vimos é uma perturbação neurobiológica, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida.

            É reconhecida oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

            Estudos científicos mostram que portadores do PHDA têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. Esta zona é uma das mais desenvolvidas no ser humano e é responsável pela inibição de comportamentos inadequados, pela capacidade de atenção, memória, controlo e organização. O que está alterado nesta região cerebral é a diminuta produção de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente Dopamina) utilizadas pelas células para se comunicarem entre si, a fim de cumprirem uma certa tarefa. As crianças que apresentam esta disfunção são tidas como tendo “bicho carpinteiro”, como “vivendo no mundo da lua” ou “ligadas à electricidade”…

            O PHDA está associado a dificuldades na escola e ao relacionamento com os seus pares, afecta a família, perturba os professores…

            Educar um filho com PHDA não é uma tarefa fácil. Pelo contrário, é muito desgastante. É um desafio diário. Geram-se conflitos em ambos os intervenientes e nenhum deles sabe como geri-los. Comprometem-se relacionamentos na família. As tensões são constantes. Chovem queixas da escola…

            É comum que os pais pensem muitas vezes que o problema se deva a um “defeito de carácter”, da inteira responsabilidade da criança. Esta atitude pode gerar, por parte dos progenitores, um sentimento de rejeição, mais ou menos consciente, em relação à criança.

            O seu filho não é culpado. Ele tenta agradar, mas a sua estrutura não lhe permite fazê-lo. Sente que é diferente, percebe que decepciona, entra em angústia, não controla seus comportamentos inadequados, pede desculpa…

              Infelizmente, não é raro ouvirmos da boca dos médicos que “isto vai passar com o tempo.” E, então, os pais só se apercebem da dimensão do problema quando, na escola, a criança apresenta dificuldades, tanto a nível cognitivo, como comportamental. A desinformação e falta de formação nesta área é muito patente, quer no contexto da Educação, como no da Saúde e o problema, não sendo tratado (sublinho a importância de um diagnóstico e tratamento precoces), poderá tomar contornos perniciosos…

            O que fazer, então? Antes de mais, os pais devem procurar informar-se, o mais que puderem, sobre esta perturbação. Devo acrescentar que essa informação deve ser extensiva ao portador, isto é, a criança deve compreender em que consiste o seu problema, para que possa encará-lo com coragem e objectividade e aprenda a encontrar estratégias para superar as suas dificuldades.

             Compreenda a disfunção do seu filho, para que ele não se sinta injustiçado por ser diferente.

             Utilize o reforço positivo – valorize primeiro as pequenas coisas que ele consegue fazer ou dizer. O reforço deve ser imediato. Elogie. Elogie sempre. Cumpra o que promete. Tire um tempo só para ele. Façam algo em conjunto;

              Respeite o seu ritmo – ele precisa pensar…;         

               Não grite (treine a calma…não é fácil) – quando passar a “birra”, explique-lhe a razão da punição (não física, mas sim retirada de privilégios) e ajude-o a encontrar alternativas para o seu comportamento inadequado;

               Ajude-o com as amizades – procure conhecer os amigos e promova encontros em sua casa com um ou dois colegas que lhe pareçam mais calmos.

               Ajude-o a organizar-se – dê-lhe apoio nos T.P.C. Coloque na parede do quarto um placar, onde se afixarão os lembretes. Encoraje-o a arrumar a mochila, antes de se deitar, para que nada seja esquecido. Faça-o participar nas tarefas familiares. Não peça tudo de uma vez, mas elogie-o, quando cumpre a tarefa até ao fim;

                Olhe-o sempre nos olhos – assim obterá a sua atenção;

                Seja amoroso, mas não permissivo – seja firme nas suas convicções e defina regras. Podem assinar ambos um contrato comportamental e determinar recompensas…

                 Se a criança já tem dificuldade em fixar na memória de curto prazo as actividades a fazer, as ordens deverão ser simples, unas e não antecipadas no tempo. Os pais devem falar de perto, com voz firme, mas não em tom de ameaça ou com irritação. Jamais devem retardar ou desistir de uma ordem já proferida.

Alice Ribeiro (Representante dos Encarregados de Educação do Agrupamento Vertical de Escolas Dr. João Lúcio)



publicado por faroldigital08-09 às 05:45
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